domingo, 28 de fevereiro de 2010

Tietê vs Sena

Nem sei por onde começar...
Aquele francês-sem-graça mexeu comigo.
Ele estava lá, me esperando no aeroporto. Nem posso dizer que era "como eu imaginava" porque era exatamente como eu o conhecia há meses pelo msn. Ele me deixou confortável e também se sentia assim. Engraçado que nem mesmo percebi que estava no país dele, que a língua não era a minha e que ele não passava de um completo estranho.
Depois de uma semana com ele em Paris, fiquei imaginando como seria largar tudo aqui e viver com ele lá. Não imaginei apenas por exercício. Ele não parava de me dizer que era isso que queria. Dizia (e diz até hoje) que quer viver comigo. Viver comigo...Com meus defeitos que ele pensa que já conhece. Com as minhas qualidades que ele enxerga com olhos de apaixonado.
Expliquei que é a minha vida é praticamente impossível lá. Não poderia trabalhar até ser totalmete fluente em francês. Ele não ganha tão bem que possa me sustentar. Não, isso eu não disse. Não seria indelicada. Não teria coragem de lhe dizer que preciso de alguns luxos que conquistei. Cremes, roupas, viagens, carro, empregada, academias de ginástica, uma casa com espaço suficiente, dinheiro. Dinheiro, Paulo. Como eu poderia comparar o que ele me oferecia com dinheiro? Eu diria que adorava a sua companhia , mas que não poderia ficar sem as minhas sessões de massagem? Que fazia um tempão que eu não sabia o que era um sexo tão bom, mas, infelizmente, eu preciso de dinheiro para gastar com besteiras? Ele gosta de mim e eu penso em dinheiro para freqüentar restaurantes bons. Ele arruma o meu cachecol e eu nem me imagino sem dinheiro para arrumar o meu cabelo...
Eu não estou errada. Acho que seria uma loucura completa abandonar a minha vida e morar com ele, por mais apaixonada que estivesse. Mas o problema é justamente esse: eu pensei! E muito.
Ele me fez esquecer todas aquelas maluquices que eu aprontava aqui. Ele me deixa tranqüila. Eu não tenho ansiedades.
Por isso eu chorei no avião. Por que raios ele precisa estar na França?

Nenhum comentário:

Postar um comentário